Uma quase corrida no parque

É domingo, sol em Curitiba, um convite para ir caminhar, correr, fazer ginástica no parque. Convite aceito. Na hora de sair de casa não resisto a colocar no bolso um mini sketchbook, a nova caneta tinteiro Fountain Pen e um lápis de cor. Poderia ter algumas cenas para desenhar após a corrida.
Mas a corrida durou pouco. Logo de cara percebi que era oportunidade de fazer uns sketchpeoples. E haviam muitos tipos interessantes. Atletas de verdade, gente só conectada com seu celular, passeadores com cachorro, corredores pais e mães atrás dos seus filhos, gente idosa por recomendações médicas.

Eu vim aqui pra correr ou pra desenhar? Retomo meu propósito inicial, e quem vejo? A senhorinha que vende bolas. Tento reprimir o desejo de desenhar, não consigo. Puxa vida, nem 100 metros e outra pausa!

Desisto de correr. Caminho mais um pouquinho e logo a seguir mais uma cena, a família brincando com bolinhas de sabão. Lá vamos nós. Enquanto os deuses da ginástica me julgam com olhares de repreensão.

Tá bom, vamos lá, chega de desenho! Faço uma meia volta pelo parque à contragosto. O ímpeto atlético sucumbiu. Deixo para outro dia esse projeto, caminho despretensiosamente admirando a paisagem e curtindo as cenas que o lugar me propicia.

Para finalizar registro um vô e sua neta à beira do lago. A cena se desmancha rapidamente, mas a prendo ainda mais rápido no meu sketch. A corrida ficou para próxima vez, é melhor não trazer nem caneta nem papel.

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