Quando a chuva… parte II

Há algum tempo publiquei a minha primeira participação no blog, e falava de chuva. Mas alguns desenhos foram omitidos daquela história. Na vida dos sketchers a chuva é um contratempo, mas há outros, como os bêbados, que se tornam nossos maiores fãs, as pessoas que expulsam a gente dos lugares, os doidos e aqueles que perguntam: – o que é arte? Mas voltando ao caso da chuva, ela nos dá outra possibilidade, quando o ímpeto de croquisar é muito grande e não tem como sair: desenhar de onde estamos mesmo.

A chuva era torrencial a maior parte do tempo, às vezes amainava, mas não dava trégua. Do sofá tinha algumas vistas que davam desenhos. E foi de lá, no conforto de casa, que fiz alguns desenhos que gosto muito. Gosto porque elas retratam coisas íntimas, um tema que não é muito praticado em nosso “mundinho” de urban sketchers. E também porque são recordações em forma de desenho, não importando muito se os traços e cores ficaram bons ou não.

A relação de avós e netos é uma das maravilhas da natureza humana. Não se explica só se aprecia. Os dois extremos da vida se encontrando, a inocência da infância e toda vivência da velhice, ali, frente a frente, um embate em que os dois lados vencem. Muitos poderiam representar essa cena, há incríveis ilustradores pelo mundo que seriam capazes de revelar esse sentimento com cores e formas. Mas quando a gente o presencia e capta em nossos traços, ahhh.. o sabor é outro.

Pra mim as árvores são sempre bons temas de desenho. Essa aí podia ver pela janela, uma goiabeira ainda jovem, mas que cresceu muito rápido. Eu não plantei, quem plantou foi o passarinho. Improvisei um galho atravessado para as brincadeiras das crianças, e pronto, já começaram a dizer que tinham uma casa da árvore.

Toda cozinha tem seu charme de panelas, mesa, fogão e geladeira. Ali tínhamos essas coisas essenciais para chamarmos cozinha de cozinha, e no comando a tia Tânia, exímia cozinheira de pratos do dia a dia, preparava o almoço. Sentiram o cheiro do feijão?

Assim a chuva foi migrando pra dentro do meu caderno. Foi saindo das nuvens aquela aguada e virou chuva de traços. Recordações de momentos muito preguiçosos e proveitosos no sofá velho e furado da casa da praia.

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