A glória no oftalmologista

Hoje, no exame rotineiro das vistas percebi que há um resquício de medicina a moda antiga na oftalmologia. Apesar de todos os avanços tecnológicos que surgem a cada minuto e transbordam nos consultórios dos médicos, a oftalmologia ainda usa aquele velho aparelho para saber o grau dos nossos óculos.

Não faço ideia de qual é o nome daquele estranbólico aparelho, mas o conheço desde criancinha. E as frases clássicas ainda estão lá: — assim é melhor? ou assim? deste ou daquele jeito? Leia as letras, agora as de baixo. São 30 anos indo a oftalmologistas e não mudou nada. Alguns modernizaram, como esse, as letrinhas agora são digitais, num monitor, mas o aparelho é o mesmíssimo.

O que é mais surpreendente é que nesse caso, os médicos, arrogantes detentores da verdade, tem que nos ouvir, pobres mortais ignorantes. Não tem como, só nós podemos saber qual é o melhor remédio, qual será a dose, pra um olho ou para o outro. Os médicos só viram a chavinha e perguntam: — melhor assim, ou assim?

Esse estranho aparelho devolve a relação médico-paciente ao seu devido lugar, porque o médico é obrigado a nos perguntar e escutar antes de diagnosticar. E não pode usar aqueles modernos instrumentos nucleares, ultra-sônicos, radiônicos-x para saber e nos impingir a sua verdade médica. Eles com esses aparelhos cósmicos em mãos nos determinam: você tem isso, você tem aquilo, você vai morrer. — Ah! Vá se danar, você também vai morrer caro médico metido!

Ali, na minha cadeira de paciente-rei, revivo a glória soberana dos monarcas, e abaixo o médico, humildemente suplica: — senhor, esse ou este é melhor?

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