Retratos do Rio I

Padaria, não aquela “bunitinha” da zona sul, ou uma padaria curitibana, mas uma padaria dos subúrbios cariocas junto ao ponto final de algum ônibus. Escura, suja, caótica, tocando um pagode no power-system-paraguaio. No lado de fora um homem careca, de meia idade e doente mental xinga quem passa, filho da.. , vaga…, viad….

Cansado do seus afazeres ele vem comprar café com parcas moedas. A atendente se recusa: — você tá xingando então não vai ter café. O dono da padaria, que é o caixa, senhor grisalho, barba de 4 dias, barrigudo, se aproxima com um cassetete surrado na mão e bate no balcão: — o que que foi? Cafêé, cafêê, caféê responde o nosso corcunda de notredame. O dono da padaria faz um ar de “olhhhaaaa!” mas manda a funcionária, com seu uniforme amarelo impecavelmente imundo, dar café ao nosso protagonista. Ela reluta: — mas ele tá xingando!? O homem grisalho, poderoso dono da padaria insiste e ela cede, faz um café aguado meio café meio água fria num copo descartável. Serve e recolhe as moedas, satisfeito ele pega seu copo e vai embora. Olhar cúmplice entre nós, todos rimos.

A atendente se dirige a mim e faz um comentário sarcástico: — é irmão dele aí (apontando para o dono), um é doido e o outro toma tarja preta.

Nota: o pão com manteiga dessa padaria é ótimo.

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3 respostas em “Retratos do Rio I

    • Valeu a visita nobre Ranieri. Sua cidade natal não tem dessas coisas mas tem outras loucuras, e também sei que você adora uma cidade grande. Abraços.

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