Homem tropeço

Eu que sou manco
sem ter pernas tortas
Que tenho fome
apesar de saciado
Que sou presente
sempre efêmero.

Eu que sou cego
de óculos vidente
Que sou culpado
sem ser incrimado.
Que me sinto fraco
mas não estou doente.
E que estou doente
sem me inflamar
Que me inflamo
sem levantar a voz.

Eu que sou matuto
cidadão urbano
Que sou santo
pecador incurável
Que tenho a cura
para o mal que não há.

Eu que me arrasto
Calango de asas
Que prego certezas
cheio de dúvidas.
Que atropelo
que atrapalho
que me escapo
que me fujo,
que reprovo.

Eu que sou amado,
sem entender o amor
Que marcho soldado
enfileirado na ilusão.
E ando equivocado
na trilha da paixão.

Raro de Oliveira – Setembro de 2009

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