Vinho das cerejas

Seu Alberto me conta da sua operação de ponte de safena. Ele deve ter um complexo rodoviário no peito, de tantas pontes. Depois de uma das operações ele ficou profundamente anestesiado, dormindo. Enquanto dormia e seu coração se recuperava, uma recordação de infância lhe perseguia…

Em Portugal sua família era muito pobre, mas na terra que moravam de favores a safra de cerejas chegava antes que a dos vizinhos. Toda a família se reunia para a colheita e num surrado caminhão iam para a cidade vender a bons preços. Era um dia de festa e especialmente lucrativo, por isso ao voltar para casa, seu pai se dava ao direito de tomar uma caneca de vinho na estalagem que havia no caminho.

No seu pós-operatório esse sonho persistia em sua mente, a lembrança do seu pai tomando vinho na estalagem, no dia da venda das cerejas, e a grande alegria que isso lhe proporcionava.

Quando Alberto acordou descobriu que não havia dormido só um dia, mas cinco. Havia cinco dias que estava sonhando com o vinho das cerejas…

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