Mais um na aldeia

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Recebi ontem uma amável foto da chegada do meu amigo Sandro André a Rondônia. Foi uma mudança e tanto na vida desse meu colega curitibano e lhe desejo toda sorte do mundo em suas novas aventuras por essa terra brasilis. Fico também muito satisfeito, com um sorriso cúmplice, sabendo que tem uma pontinha de mim nessa história. (continua >>)

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Enterrei meu vizinho

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Já devo ter enterrado passarinho, quando criança, não lembro. Mas hoje enterrei meu vizinho.

Calma gente, eu sei que é um pouco radical para meu primeiro texto nesse blog, mas o cotidiano também nos surpreende. Enterrei, tá enterrado, sem culpas, e sem polícia, o que é melhor. O meu vizinho era um gambá, sim, um bicho que é famoso por seu raro perfume. Não tinha nome conhecido, chamávamos de “agregado”, mas hoje, diante de sua morte percebi que ele era Policarpo, nome que me pareceu mais adequado quando vi sua cara frente a frente, no forro, em decomposição acelerada.

Não vou falar mal do falecido, dizem que não é bom, mas digo: era um boêmio. Aparecia sempre de madrugada e fazia um escarcéu, até, que bebendo do cálice mortal (oferenda sacana do meu vizinho, humano, dos fundos) morreu, se finou-se, escafedeu-se. Retumbou nesta quarta-feira de cinzas depois de fazer muita festa com a cachaça envenenada que bebeu, até as 5 da manhã da terça-feira de carnaval.

Enterrei, fiz uma cova rasa, o bicho não era grande mas fedia que é o diabo! Os vermes faziam festa em suas tripas. Não deu pra enterrar o dito com mais dignidade, o olfato não deixou. Mas fiz o que pude, tá lá, morto e decompondo-se no terreno baldio daqui de frente de casa. O mato anda alto e acho que tem um clima meio cemitério jardim, acho que ele vai gostar.

Aproveitei o final do dia para tirar umas fotos, fiz fotos alheias, sem muito propósito pelo mato. Aí achei que era o gambá Policarpo andando, com sua alminha de rato grande e fedorento, mas digno. Andando pelo mato, curtindo seu primeiro pôr-do-sol de falecido. Acho que ela estava bem. foi-se, viveu como quis, e morreu.

A você Policarpo, minhas condolências, e a sensação que enterrei um parente, uma dia será eu, nos encontraremos no infinito. Abraços, Raro, seu vizinho de baixo.

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