Posts filed under 'Poesia'

Casa de Repouso

Um velho caboclo de barro
esquecido na mesa do canto.
Um velho pescador de barro
que perdeu o anzol faz tempo.
Também perdeu
o peixe, o rio, o mar…
Um velho de chapéu de palha,
de olhar cansado
de ver teias de aranha.
Um velho sentado na pedra
tão imóvel quanto ele,
que resiste ao tempo.
Um velho perdido
na decoração da casa.
Um velho que guarda segredos
nas cicatrizes do rosto.
Um velho corcunda
de barba grisalha.
Um velho à espera de um sopro
que o ressuscite do barro.

Waro >A multiplicação dos cães<

Add comment Outubro 22, 2009

Homem tropeço

Eu que sou manco
sem ter pernas tortas
Que tenho fome
apesar de saciado
Que sou presente
sempre efêmero.

Eu que sou cego
de óculos vidente
Que sou culpado
sem ser incrimado.
Que me sinto fraco
mas não estou doente.
E que estou doente
sem me inflamar
Que me inflamo
sem levantar a voz.

Eu que sou matuto
cidadão urbano
Que sou santo
pecador incurável
Que tenho a cura
para o mal que não há.

Eu que me arrasto
Calango de asas
Que prego certezas
cheio de dúvidas.
Que atropelo
que atrapalho
que me escapo
que me fujo,
que reprovo.

Eu que sou amado,
sem entender o amor
Que marcho soldado
enfileirado na ilusão.
E ando equivocado
na trilha da paixão.

Raro de Oliveira – Setembro de 2009

Add comment Setembro 3, 2009

Êxtase

Desculpe caro leitor, mas hoje resolvi desenterrar uma poesia. Aos incautos que lerem mil perdões pela falta de vergonha. A imagem acima é um detalhe de uma pintura virtual chamada Miguelangela.

(mais…)

Add comment Maio 31, 2008


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